05 Outubro 2009

«Eu gostava muito daquele professor. Ao princípio os meus pais nem podiam acreditar. Quero eu dizer que não eram capazes de entender quanto eu gostava do meu mestre. (...) "Os mestres não ganham o que deviam ganhar", sentenciava, com sentida solenidade, o meu pai. "Eles são as luzes da República" (...)»

excerto de "A Língua das Borboletas" in Que me Queres, Amor? de Manuel Rivas.
Que me Queres, Amor? Prémio Torrente Ballester de Narrativa, Prémio Nacional de Narrativa 1996, apresenta 16 relatos de dura e profunda tristeza e ao mesmo tempo a ternura e o humor como um dos melhores atributos da humanidade.
 
Comemorar a República e o Professor obriga-me a reencontrar o extraordinário valor destes conceitos e recorda-me a sensibilidade e a força cruel do relato de Manuel Rivas em "A Língua das Borboletas".
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publicado por Biblo-ESARS às 00:06

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Professora Bibliotecária
Ana Paula Gonçalves

Na grande biblioteca

"Na grande biblioteca os sábios sentam-se e lêem livros.

Eu sento-me no meio deles, mas não sei porquê.

De tempos a tempos um deles passa pelas brasas

E depois levanta-se para ir beber um café.

Eu deixo-me estar visto que sou o único entre eles que não sabe por que lê os livros empilhados à sua frente na secretária.

Lá fora o sol brilha, os esquilos saltitam no relvado e trepam pelas árvores.

Eu sento-me e leio.

Todos temos que fazer alguma coisa.

As pessoas passam na rua.

Têm coisas para fazer.

Eu leio e leio visto que não tenho mais nada para fazer, e o tempo passa devagar."

Jovan Hristic

Versão publicada por LP, “Do Trapézio, sem rede” às 14:02 a 9/Fev/2010 a partir da tradução inglesa de Charles Simic reproduzida em The Horse Has Six Legs - An anthology of serbian poetry, organização e tradução de Charles Simic, Graywolf Press, Saint Paul, 1992, p. 121

O Medo

"caminhar no deserto, reencontrar a magia das palavras e usá-las com maior ou menor inocência, como se as usássemos pela primeira vez, como se acabássemos de as desenterrar das areias. as palavras, esses oásis envelhecidos que me revestem o corpo como um trapo que sempre me tenha pertencido...

a partir desse momento acumulei infindáveis cadernos escritos; era esta a única maneira de remediar o medo e de não possuir nada, e de ter possuído tudo."

, Al Berto

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