01 Setembro 2009

É muito comum ouvir-se falar em preparar leitores escolarizados, preparar para a leitura. Tal como educar para a vida ou para a cidadania, como se a leitura, como se a vida ou a cidadania viessem depois.

É urgente educar com a leitura e desencadear a dinâmica da leitura. E não basta saber ler, é preciso cuidar da técnica de saber ler. Daniel Pennac recorda que o medo de ler cura-se com a leitura, o de não compreender com a imersão no texto.
Pode obrigar-se a ler, pode ler-se por obrigação, mas a grande batalha da leitura é o estímulo da descoberta, do entusiasmo e da motivação. Ler, compreender e transformar o âmbito cultural e dinâmico da leitura, será, de facto, a plataforma fundamental para o exercício da cidadania e intervenção.
A grande missão neste espaço humano e físico que é a Escola e, em particular, a biblioteca da escola é que, pelos seus recursos humanos, sejamos capazes de provocar o gosto de ler e saber. Sejamos capazes de cativar leitores, independentemente do suporte ou meio em que o façam.
O que se leu, o que se lê, o que motiva para a leitura é difícil explicar.
Nem sempre a minha realidade com o mundo da literatura foi a que hoje vivo. A minha geração viveu o mundo dos livros.
Comecei por ler Enid Blyton, Gilbert Delahaye, Carlo Collodi, J.M. Barrie, Lewis Carrol, Corin Tellado, Emílio Salgari, (Sandokan, o Tigre da Malásia, Os Sete, Os Cinco, Tarzan, Anita, Tintin, Mónica, Tio Patinhas,...) entre outros. Li tudo, coisas que nem são fantásticas.
Em 1975, quando cheguei a Portugal devorei, indiscriminadamente, os livros de uma pequena biblioteca municipal que existia no outro lado da rua da minha casa. Ainda ouvi falar das bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian, mas não cheguei a conhecer essa extraordinária realidade.
Aos 16 anos tive um professor de Português muito culto que me ensinou que as matérias das disciplinas são muito importantes, mas que havia coisas fantásticas para ler.
Para além do meu mundo de livros havia o mundo fantástico da literatura, da poesia, da arte.
E ler tornou-se um acto de liberdade e criação, cito Alberto Manguel.
Hoje leio por prazer, leio por necessidade, leio por interesse. Leio.
Elogiar a leitura é algo complicado porque é estranho elogiar alguma coisa que se gosta e ainda mais estranho e difícil de entender como é que os outros não gostam ou não lêem.
Ler torna-se um vício quando se prova. Transforma-nos a vida, dá-nos os maiores prazeres, obriga-nos a entusiasmos e a duros esforços para entrar nesse extraordinário mundo mental da aventura permanente de ler um livro de ponta a ponta, num fôlego.
Acredito na leitura como uma doença, que só se pode transmitir por contágio. Foram homens e mulheres que, pelo seu entusiasmo e saber, me fascinaram e viciaram neste consumo da leitura.
O mesmo se passa com a biblioteca. O seu ambiente contagia. O momento da leitura, da partilha desse espaço e do seu silêncio tornam-se no contrapeso da vida, num entusiasmo solitário de abandono de outros prazeres para arrebatar esse mundo de leitores que se vive numa biblioteca.
Ainda assim ou por isso mesmo, reforço a percepção da necessária transformação das práticas existentes na biblioteca da nossa escola, não pela mera inclusão de tarefas que objectivem o aumento do número de actividades ou de frequências da BE mas, acima de tudo, pela valorização da(s) literacia(s). Pela valorização deste importante espaço de cidadania.
Identificar-me como leitora no momento em que assumo a direcção da biblioteca da nossa escola não é mais do que comprometer-me com uma postura, um projecto e uma equipa que seja capaz de provocar o contágio, aguçar o processo de pesquisa de informação enquadrado num contexto rico em comportamentos e manifestações relacionadas com o prazer de ler e com a necessidade de recuperar informação.
 
Em verdade, espero, simplesmente, que todos nos impliquemos neste processo e ler se torne relevante.
 
 A professora bibliotecária, 
Ana Paula Gonçalves

 

publicado por Biblo-ESARS às 02:03

Na minha bibiloteca que conta actualmente com 1852 livros há de tudo.Já li e reli esses volumes quase todos. O último é Tom Sharpe. Tenho os 15 livros dele. Sempre me fascinaram as bibliotecas. Pelo cheiro, em primeiro lugar. Pelo fascínio daquelas lombadas encadernadas, pelo encantamento da escrita que se transforma em livro: vi (ao vivo) Ferreira de Castro, Alves Redol, José Saramago, Mário de Carvalho, Jorge Amado e Zélia Gattai, Mário Castrim, Manuel da Fonseca e tantos outros que ocupam as minhas estantes. Gosto de ler e só o concebo em livro.


Fernando Rebelo
Fernando Rebelo a 1 de Setembro de 2009 às 02:19

Ler é esta forma de estar.
Neste Verão difícil dei comigo à procura de tempos passados. Reli. Ou seja, voltei a ler. Como se estivesse em busca de outros tempos. Reli. Como se estivesse à procura de amigos antigos. Vi-os de novo. É sempre bom encontrar os amigos...
Comprei novos livros e pergunto-me onde os irei pôr. São amigos e há que dar-lhes um lugar especial. Onde irei colocá-los?
Gosto de os ter à vista porque cada um tem um significado particular. São eles que me fazem ser como sou: ao meu lado, do meu lado. À mão. Amigos, de verdade.
Fernando Rebelo a 1 de Setembro de 2009 às 02:20

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Ano Internacional da Astronomia

20 Julho 1969

40 anos depois de ter a Lua

Imagem da Terra no horizonte da Lua, a partir da nave Apollo 11. O terreno lunar retratado fica na área do mar de Smyth, do lado claro. Os astronautas Neil Armstrong e Aldrin desciam no módulo "Eagle" para explorar a região do Mar da Tranquilidade na Lua.

Fonte: Nasa

Antes da Lua, o espaço.

O soviético Yuri Alekseievitch Gagarin, em 12 de Abril de 1961 a bordo da nave Vostok-1, tornara-se o primeiro homem a viajar pelo espaço.

Conquista

"Livre não sou, que nem a própria vida

Mo consente.

Mas a minha aguerrida

Teimosia

É quebrar dia a dia

Um grilhão da corrente.

Livre não sou, mas quero a liberdade.

Trago-a dentro de mim como um destino

E vão lá desdizer o sonho do menino

Que se afogou e flutua

Entre nenúfares de serenidade

Depois de ter a lua!"

in,Cântico do Homem

Miguel Torga

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Professora Bibliotecária
Ana Paula Gonçalves

Na grande biblioteca

"Na grande biblioteca os sábios sentam-se e lêem livros.

Eu sento-me no meio deles, mas não sei porquê.

De tempos a tempos um deles passa pelas brasas

E depois levanta-se para ir beber um café.

Eu deixo-me estar visto que sou o único entre eles que não sabe por que lê os livros empilhados à sua frente na secretária.

Lá fora o sol brilha, os esquilos saltitam no relvado e trepam pelas árvores.

Eu sento-me e leio.

Todos temos que fazer alguma coisa.

As pessoas passam na rua.

Têm coisas para fazer.

Eu leio e leio visto que não tenho mais nada para fazer, e o tempo passa devagar."

Jovan Hristic

Versão publicada por LP, “Do Trapézio, sem rede” às 14:02 a 9/Fev/2010 a partir da tradução inglesa de Charles Simic reproduzida em The Horse Has Six Legs - An anthology of serbian poetry, organização e tradução de Charles Simic, Graywolf Press, Saint Paul, 1992, p. 121

O Medo

"caminhar no deserto, reencontrar a magia das palavras e usá-las com maior ou menor inocência, como se as usássemos pela primeira vez, como se acabássemos de as desenterrar das areias. as palavras, esses oásis envelhecidos que me revestem o corpo como um trapo que sempre me tenha pertencido...

a partir desse momento acumulei infindáveis cadernos escritos; era esta a única maneira de remediar o medo e de não possuir nada, e de ter possuído tudo."

, Al Berto

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